sexta-feira, agosto 26, 2005

ainda os incêndios do regime e a viscosa pátria

Conforme reproduzido abaixo, com grande e devida vénia, diz Paulo Varela Gomes: «(...) o colapso da autoridade do Estado central e local, este regime de desrespeito completo pela lei, que começa nos ministros e acaba no último dos cidadãos. É o território do incumprimento dos planos, das portarias e regulamentos camarários, o território da pequena e média corrupção, esse sangue, alma, nervo da III República (...)».
E já em 1997, falava Vasco Pulido Valente da «(...) voluntária cobardia do "guterrismo" e do PSD, que se renderam às máquinas partidárias e ao populismo dos caciques locais (...)».
A "civilização" nasce da conjugação do respeito pela lei (o que implica o regular funcionamento dos mecanismos que a fazem funcionar, designadamente os tribunais) com o esclarecimento dos indígenas (e aqui presume-se a existência de escolas e meios de comunicação social dignos desse nome).
No Portugal pós-74, temos algum acerto legislativo (existem disparates a esse nível, mas de reduzida dimensão e gravidade) mas total inoperância das instituições. O sentimento de impunidade leva a que venha ao de cima, sem peias, o pior do portuguesismo - naquilo que é meu mando eu, guardo lá os bidons de gasóleo ou os pneus usados que podem vir a dar jeito. Ou quando já não dão mesmo, vou despejar no do vizinho a meio da noite que é para ninguém ver.
Os principais responsáveis pela perda de autoridade do Estado estão à Esquerda. Mário Soares e Jorge Sampaio (muitos outros haveria, por uma questão de critério fiquemos pelos que ocuparam a cadeira da Presidência) pensam, por ignorância ou não, que os princípios civilizacionais que observam na vida diária são "inatos e naturais", e que toda a gente tendencialmente os respeitará - pelo que "não gostamos de polícias, sr. guarda", vá-se lá embora que é tudo boa gente e a malta entende-se. Só que a malta não se entende, e não vai cumprir leis chatas e PDMs e o raio se não levar uns puxões de orelhas volta e meia.
Quanto à caciquização e despesismo, as responsabilidades dividem-se entre Esquerda e Direita. O aumento desmesurado da administração pública central e local dá-se a três tempos: em 74-75, com o assalto do PCP à máquina administrativa e instalação na mesma dos seus militantes e simpatizantes; a partir de 87, com o cavaquismo em todo o seu esplendor; e após 95, com o fartar vilanagem de Guterres e seus herdeiros espirituais (Durão, PSL, Sócrates). E o caciquismo deu origem às conhecidas figuras sinistras em todos os partidos, as quais não menciono por razões puramente sanitárias - ficando porém o dedo apontado a Cavaco Silva, responsável directo pelo desbaratar de fundos comunitários gastos em rotundas e jipes.
Ardida a pátria e esvaziados os cofres, virá a anarquia grunha e boçal da Maria da Fonte, da Patuleia, do Remexido e do Padre Casimiro. Nada de novo...
LR

Comments:
Excelente análise. Só acrescentaria duas notas:
- o Cavaco não tem culpa da grunhice e vista curta das pessoas que gastaram os subsídios em jipes. Vai ser gira a reacção da CAP, por exemplo, quando vier o próximo QCA...
- O cancro fundamental do nosso Regime, a Administração Local, está assim muito por culpa dos portugueses. A responsabilidade é colectiva.
Uma provocaçãozinha: E que tal um "Homem Providencial" na pessoa do triturador de bolo-rei, para restaurar a autoridade do Estado?
 
Eh Pá !!!!


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Cumprimentos,

Nuno Martins.
 
Olhe que essa do assalto da esquerda a tudo e os maus resultados disso é como cortar a bengala, em cima, porque estava comprida. Ou ainda não percebeu como é a História , toda, ou então parece preferir os homens salvadores de pátrias.
Em http://homem-ao-mar.blogspot.com está disponível uma análise que lá por ser minha não deixo de a referir. E tem um avantagem, sabe, eu gosto deste País e acho que pode melhorar.
Não se pode é ser ridículoa culpar os PR quando o que a direita fez foi retirar-lhes qualuer papel útil.
Visitem e comentem em
http://homem-ao-mar.blogspot.com
 
É verdade que o caciquismo e a engorda da FP não pode ser assacadas apenas a um ou outro partido. O fenómeno transcende todos os partidos e até toda a Sociedade. As suas raízes profundas encontram-se no Salazarismo e nas feridas profundas que deixou em Portugal, especialmente num paternalismo doentio e num espírito de classes que o 25 de Abril não conseguiu eliminar.
 
que venha a anarquia...talvez seja refundadora...não da pátria...mas desta vez das pessoas...
 
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