segunda-feira, agosto 08, 2005

Big Boys, Big Guns

Eu não tenho, por regra, complexos históricos. História é História, já passou, às vezes repete-se, outras não. A vida é assim.
Vem isto a propósito do post abaixo, do CC, e dos comentários que lá foram feitos.
Vejamos. Os EUA utilizaram a Bomba Atómica na II Guerra Mundial e isso matou muita gente. Pois foi. Para o caso de não se ter reparado, as guerras costumam matar gente. As Guerras Mundiais, exactamente pela sua dimensão, costumam matar mesmo muita gente. A utilização das armas nucleares é apenas uma questão de escala. Matam mais, destroiem mais. As duas que foram usadas mataram muita gente, não apenas ali, naquele momento, mas também depois, dos que acabaram por morrer por causa da radiação e das doenças que daí resultaram. Mas, também, acabaram com a guerra no Pacífico em cerca de 6 dias. Para quem não se recorda, a Guerra acabou três dias depois do lançamento da bomba atómica em Nagasaki, com a capitulação incondicional do Japão. Eu não tenho dúvidas em afirmar que teria tomado a mesma decisão que tomou o Presidente dos EUA, naquele momento e naquele contexto, perante a eminência de quebrar o esforço de guerra japonês e com isso poupar a vida aos soldados do meu país.
Não me parece, portanto, que a questão se coloque nos termos que por aí tenho lido, dos Bons e dos Maus. Na querra, simultâneamente, são todos Bons e Maus. Depende apenas do lado pelo qual se oberva a coisa. Com certeza os alemães se achavam os bons e os japoneses também, e os russos, e os italianos, e os romenos, e os ingleses, e os americanos, e ... e ... e ...
Na guerra não há bons e maus: há morte e destruição. Normalmente quem mata e destrói mais ganha. Ponto final.
Eu acho que, assim como assim, foi melhor terem sido os do nosso lado (pelo menos, a partir de certa altura, começaram a ser esses os do nosso lado) a ganhar. Eu, por exemplo, sou etnicamente negróide, pela classificação de cientistas alemães, feita à época, sobre o nosso país. Era para eliminar. Aliás, provavelmente nem estaria aqui, porque os meus pais não teriam tido a possibilidade de me gerar.
Digamos que não me incomoda nada que os americanos, a quem também não incomoda particularmente que eu seja negróide, tenham largado duas bombas atómicas em cima de quem se incomodava com o facto de eu ser negróide. Nem me incomoda particularmente que os ingleses tenham arrasado umas quantas cidades alemãs, aliás no seguimento de tentativa semelhante feita pelos alemães.
Para avivar as memórias, não foram os malandros dos americanos, nem dos ingleses, que por acaso começaram essa guerra. Felizmente, pelo menos para mim, foram eles que acabaram com ela.
Incomodam-me as guerras. É verdade. Mas quando começam, já se sabe o que vai acontecer. Com bombas ou sem elas. Com muitos mortos ou poucos.
E aquilo que se deve pretender não esquecer, todos os anos, em Hiroshima e Nagazaki, em Treblinka e Aushwitz, na Sibéria ou na Manchúria, é que a Guerra deve ser evitada. Qualquer uma.
AR

Comments:
Concordo plenamente contigo. So discordo numa coisa, pois numa guerra à bons e maus.É mau um pais que tenta dominar outro, seja pela força ou não. A verdade é que a Alemanha tentou e conseguiu dominar durante um certo periodo de tempo paises livres, eliminando todos aqueles que não entravam dentro dos seus conceitos de "raça superior" (algo que não existe de certeza). Portanto nesta guerra (foi sem duvida a ultima guerra, pois hoje em dia ja nao ha guerras so massacres)havia maus e bons (paises como a frança, inglaterra ou eua, etc.)

Um Abraço.
 
"bons" era uma imagem caricatural, justamente porque o mundo ocidental se considera sempre o bom da fita (porque ganhando pode ser ele próprio a determinar quem são os bons da fita) numa situação em que, como dizes, não há bons nem maus.
 
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